São Paulo, 15 de Dezembro de 2019

Feijoada / Confraternização de Doadores e Aniversário de 9 Anos do Clube SangueBom
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A evolução do aprendizado da criança.

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
19/02/2013 10:17

Com 5 ou 6 anos elas se divertem com faz de conta.

(César Augusto Ortolani)

O adulto mostra à criança ainda pequena dois biscoitos: um inteiro e outro, igual, só que quebrado em alguns pedaços. E pede que diga qual é o maior: o que está íntegro ou o outro. Ela não terá dúvidas: o que está quebrado é maior. O mesmo vale com copos d’água: a mãe pode mostrar dois copos d’água iguais, largos, com o mesmo volume de líquido. E derramar todo o conteúdo de um dos copos em um terceiro, mais fino, no qual o nível do líquido ficará mais alto. Ela provavelmente dirá que o copo fino tem mais água que o copo largo, mesmo tendo visto que o volume de água inicial era exatamente igual.

Será que isso demonstra que a criança tem algum problema de percepção? Não, não demonstra. Crianças novas, na faixa dos 4 anos, por exemplo, provavelmente ainda não conseguirão compreender essas situações (em que o biscoito que está quebrado é igual ao que está inteiro, ambos os copos têm o mesmo conteúdo, uma folha de papel amassada é igual a uma folha não amassada, etc.).

Nessa idade as crianças começam a se interessar por histórias e gostam de brincar de faz de conta, mas não entendem alguns conceitos da forma como os mais velhos entendem. Crianças não pensam como adultos. Nessa fase inicial da vida, o sistema cognitivo está em um estágio diferente – por isso elas podem considerar, nas situações acima, que a mudança da forma de um objeto aumenta sua quantidade. Mas esses são apenas exemplos simples de algumas das diferenças cognitivas dos pequenos em relação a crianças mais velhas ou em relação a adultos. Percepções de causa e efeito, percepções do real e da fantasia, de objetos animados e inanimados, o desenvolvimento do uso de símbolos e representações... São desafios com os quais a mente infantil lida de um jeito próprio, com uma lógica bem delas – e que vai mudando conforme a criança cresce. E isso não é demérito nem deve causar estranheza, pelo contrário. É normal. Nós mesmos já fomos assim: a diferença é que esquecemos.

Piaget e os estágios da cognição

Essa transformação foi estudada a fundo pelo psicólogo e epistemólogo (“cientista do conhecimento”) suíço Jean Piaget (1896-1980). Professor da Universidade de Genebra e mundialmente conhecido pela expressividade de seus estudos sobre os processos cognitivos, Piaget, em parte com a observação atenta e interessada dos próprios filhos e de outras crianças, propôs a existência de quatro estágios cognitivos na vida delas: o sensório-motor, o pré-operatório, o operatório concreto e o operatório formal.

Nessa visão, crianças até cerca dos 2 anos estão no primeiro estágio, onde o aprendizado sobre o mundo a seu redor baseia-se principalmente no contato sensorial (tocar, puxar, jogar, morder, etc.) com o que há a seu entorno. Este é um dos motivos pelos quais crianças nessa faixa etária levam tudo à boca: não estão necessariamente com fome. Estão querendo apenas saber o que é aquilo (o que, é claro, não dispensa atenção para que não engulam objetos).

O estágio seguinte, o pré-operatório (no qual ocorrem os entendimentos descritos no início deste texto), acontece aproximadamente entre os 2 e 6 ou 7 anos de idade. É caracterizado, entre outros aspectos, pela aparente confusão das crianças dessa faixa etária em relação à transformação das coisas, pela percepção irreal de que alguns objetos inanimados têm vida (o chamado animismo – a criança pode entender, por exemplo, que um brinquedo ou uma nuvem podem ser seres viventes) – e por formas de pensamentos mágicos, intuitivos e egocêntricos. Aliás, egocêntrico, nesse caso, não por maldade, mas por característica de seu desenvolvimento, visto que a criança nesse estágio ainda é incapaz de ver ou compreender situações do ponto de vista do outro. Essa fase pode estar se aproximando de sua etapa final quando a criança quer saber “o porquê” de tudo, sem descanso para pais, tios, professores... Demonstrando de um jeito bem evidente que sua compreensão do mundo está mudando.

É quando começará o estágio operatório concreto, que seguirá em média até os 11 anos. Nesse período a criança já começa a lidar de maneira mais lógica com situações e objetos, ultrapassa o egocentrismo, torna-se mais colaborativa. O estágio operatório formal surge na sequência, por volta dos 12 anos – fase em que ela já passa a raciocinar com lógica e sistematização, e é capaz de pensar de maneira formal e abstrata.

Não rotular

Qual estágio é melhor, mais correto? Em qual a criança “é mais inteligente”? Esse julgamento não se aplica. Como essa transformação é um processo natural do aprendizado não há “melhor” ou “pior”. Ela não é “mais” ou “menos”, não é “isso” ou “aquilo” por pensar assim – ela apenas está em dado estágio de sua formação; apenas vive o curso natural dos diferentes meios de aprender com os quais interage e internaliza o mundo a seu redor.

O esperado é que pais e educadores (no caso, os de visão construtivista ou de escolas de pensamento relacionadas ao construtivismo) compreendam a diferença entre esses estágios – que podem inclusive variar relativamente de criança para criança – e curtam ao máximo cada um deles junto com os pequenos. Cada fase tem seus desafios e seus encantos.

Talvez seja por isso, por exemplo, que contar belas histórias para crianças que estão no estágio pré-operatório pode ser tão marcante para elas (e também para quem conta). Afinal, na tenra idade do saber mágico, ouvir acontecimentos divertidos e narrativas lúdicas sobre fadas e animais que falam tem para essas crianças um doce e maravilhoso aspecto de realidade, de maneira que jamais terão em qualquer outra fase de suas vidas.

Você é mãe, pai, tem sobrinhos ou netos pequenos? Então desligue o computador e conte algumas histórias para eles.


Publicado originalmente em 15 de fevereiro de 2013.

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