São Paulo, 23 de Agosto de 2017

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As técnicas de estudo, segundo estudiosos.

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
17/04/2013 11:06

Cientistas publicam estudo que compara formas de estudar.

César Augusto Ortolani

Prova marcada, palestra para ministrar, concurso para prestar, projeto para preparar, problema técnico ou científico para resolver? Estude! O segredo, porém, não é só estudar, mas “como”. Ou seja: como estudar para que o tempo investido nessa atividade cada vez mais essencial no competitivo e inclemente mundo globalizado seja realmente eficaz e produtiva?

Um artigo que dá boas ideias, publicado em um jornal científico de psicologia em janeiro de 2013 (autoria de John Dunlosky, Katherine A. Rawson, Elizabeth J. Marsh, Mitchell J. Nathan e Daniel T. Willingham; veja a fonte e a íntegra no link no final deste texto) analisou 10 técnicas de estudo simples e comumente utilizadas, comparando-as em termos de resultados.

A análise dos autores – literalmente “estudiosos” do assunto – pode trazer algumas surpresas e conselhos para os estudantes de todas as idades. É que, segundo o artigo, algumas técnicas bem populares podem ter um resultado pouco eficaz. Uma das técnicas menos eficientes, de acordo com o trabalho, seria ler e reler um texto, por exemplo. Exceto que o estudante faça isso repetidas vezes, sequencialmente, o resultado poderá não ser muito bom. Isto é: reler na semana que vem um texto que foi lido hoje em tese não trará grandes resultados como técnica de estudo.

Outra técnica semelhante – grifar o texto – também não é muito produtiva como método de estudo, em especial se a pessoa apenas grifar o texto sem pensar ou refletir sobre ele. Mais útil que grifar é resumir o texto, uma técnica boa para quem vai prestar provas escritas, mas que também tem seus limites.

E técnicas mnemônicas? Elas consistem em memorizar alguma coisa, no caso usando frases ou palavras-chave – como a frase “Meu Velho Tênis Muitas Jornadas Sofreu; Usava-os Nos Pés!” fica muito mais fácil decorar a ordem dos planetas e do planeta anão Plutão no Sistema Solar. Isso funciona em alguns casos, mas tem uma capacidade também limitada. O mesmo vale para a técnica de visualização, que também tem lá seus limites.

Mais eficazes

Mas que técnicas dão mais resultados? Ainda segundo o artigo, explicar para si mesmo aquilo que se quer aprender tem uma eficácia melhor que técnicas como apenas ler, memorizar, resumir, grifar. Essa “autoexplicação”, entretanto, deve ser feita durante o estudo, e não depois. Assim, pode-se ler e entender aquilo que precisa ser estudado e, como parte do mesmo processo, explicar a si mesmo o que precisa ser entendido.

Também teria boa eficiência estudar intercalando assuntos diferentes. Variar as disciplinas ou os assuntos dentro de uma mesma disciplina seria mais eficaz do que estudar “só Matemática”, depois “só História”, etc., ou do que se dedicar a apenas um assunto por vez.

Outra técnica de resultados razoáveis é fazer perguntas a si mesmo e partir em busca de respostas. Seria assim, por exemplo, mais eficaz e duradouro se entender porque os juros composto pode ser calculado pela fórmula “M = C . (1 + i)n” do que simplesmente decorar a fórmula – que logo seria esquecida e não teria nenhuma utilidade se não se sabe o que cada item significa, ou mesmo “porque devemos entender o que são juros compostos”; assunto útil para quem faz empréstimos ou gosta de compras parceladas.

Mas eficaz mesmo, de acordo com a publicação, é estudar fazendo exercícios sobre o assunto: ler e compreender e, em seguida, dedicar-se a pôr em prática o que foi visto é, segundo os pesquisadores, altamente eficaz como prática de estudo. Outra técnica eficaz é distribuir o estudo ao longo do tempo. Ou seja: estudar muito, mas só na véspera da prova, não é uma boa ideia. Mais eficaz, recomendam os autores, é estudar um pouco por dia, mas por muitos dias. Uma sugestão seria dedicar-se a um período de estudo correspondente ao período pelo qual se quer lembrar do que foi estudado: se se quer “saber” de algo por mais tempo, estudar por um período maior.

O que fazer, então?

Desistir da técnica que se prefere? Abandonar aquele curso de memorização? Jogar fora a caneta grifa-textos? Não, não faça isso. Não é necessário tanto. Provavelmente o que o artigo nos ensina é que não devemos confiar em apenas uma técnica, principalmente se ela é muito fácil. Aprender requer algum esforço mental. Mas se a pessoa se dá bem com o procedimento que usa para seus estudos provavelmente não há motivo para abandoná-lo. Vale entender que “cada um é cada um”. Vale também, por outro lado, testar os outros métodos, como o de distribuir o assunto a ser estudado “um pouco por dia”, fazer mais exercícios ao invés de apenas leituras, explicar a si mesmo o assunto... Os autores alertam também que muitas vezes a técnica até é boa para um caso – mas é subutilizada, e poderia ser aplicada com mais ênfase e eficácia, dependendo do propósito.

Muitos brasileiros veem o estudo de uma maneira pouco enfática. Entretanto, a história de países como a Coreia do Sul (berço de indústrias como a Samsung e a Hyundai e onde a educação é tratada com seriedade e eficácia), o Chile (bem aqui perto) e os Estados Unidos – que, todos se lembrem, assim como nós começou como colônia – mostram que cultura, conhecimento e competência técnica são essenciais. E é com estudo que elas são construídas. Se quisermos superar os tantos entraves cada vez mais evidentes em nossas cidades, em nossos sistemas de transporte e logística, em nossa economia (como a ressuscitada inflação, controlada em 1994 com o Plano Real, mas que dá as caras novamente) e em tantas e tantas outras áreas de nosso país precisamos agir – e isso não se resolve com ignorância. Isso se resolve com um agir orientado pelo conhecimento, pelo saber, pelo estudo. É inevitável.


Copie e cole em seu navegador o link abaixo para ler o artigo (em inglês):
http://psi.sagepub.com/content/14/1/4.full.pdf+html?ijkey=Z10jaVH/60XQM&keytype=ref&siteid=sppsi



Publicado originalmente em 17 de abril de 2013.

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