São Paulo, 17 de Agosto de 2018

Feijoada / Confraternização de Doadores e Aniversário de 9 Anos do Clube SangueBom
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Caminhos do sangue através da História

Escrita por: Isabela Neiva
20/06/2006 12:39

Conhecimento e informação acabam aos poucos com os mitos

Você já ouviu alguém dizer que transfusões de sangue podem fazer mal? Esse é um mito bem antigo, quando tudo que se sabia sobre o assunto era baseado no senso comum e crendices sem nenhum rigor científico.

Os primeiros relatos envolvendo a importância do sangue datam da era clássica. Acreditava-se que as virtudes e qualidades de grande guerreiros estavam no sangue, por isso eles o bebiam na intenção de curar de males e doenças.

Outra prática comum por muito tempo, usada para curar diversas doenças, era a sangria, ou seja, talhos feitos no doente para que o sangue escorresse. Na Grécia Antiga, acreditava-se que o procedimento eliminava as impurezas contidas no sangue. Durante a Idade Média, havia discussões sobre o local e número de cortes. Mais tarde, os jesuítas passaram a usar sanguessugas no processo, com o objetivo de prevenir epidemias.

O primeiro experimento envolvendo transfusão de sangue foi em 1667 e é atribuído ao médico francês Jean Baptiste Denis. Na tentativa de curar Antoine Mauroy, um doente mental que vivia pelas ruas de Paris, ele injetou sangue de carneiro em suas veias. Mauroy faleceu alguns dias depois.

A primeira tentativa bem-sucedida ocorreu em 1818 na Inglaterra, quando o médico obstetra James Blundell fez uma transfusão numa mulher com hemorragia pós-parto. Neste caso, a experiência se deu com sangue humano. A partir daí, a comunidade percebeu que a prática poderia ser benéfica e salvar vidas.

Com a descoberta do sistema ABO pelo imunologista austríaco Karl Landsteiner em 1900, começaram os estudos de mapeamento dos tipos de sangue e as compatibilidade entre os grupos. Sete anos depois Reuben Ottenberg realizou com sucesso a primeira transfusão com base nos estudos de compatibilidade.

A prática se disseminou durante a Primeira Guerra Mundial, quando muitos feridos receberam sangue. As primeiras campanhas para incentivar doações ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, para os feridos em batalhas. A partir daí é que a população começou a se conscientizar da importância da doação de sangue.

Hoje algumas religiões, como fundamentalistas protestantes e Testemunhas de Jeová, não aceitam que seus membros recebam transfusões de sangue. Eles se baseiam em uma interpretação da Bíblia que determina que a infusão de sangue alheio deve ser evitada a qualquer custo, pois o procedimento amaldiçoa aquele que o sofre. Por isso, eles optam por intervenções alternativas que não exija a necessidade de recebimento de sangue ainda que isso implique na morte do paciente.

*Doações no Brasil*

Aqui no Brasil não houve casos de grandes guerras ou batalhas que mobilizassem a população. Hoje, tanto o governo como o terceiro setor tentam conscientizar o brasileiro da importância da doação.

Além da desinformação, outro fator que contribuiu no passado para que os mitos sobre a doação subsistissem foi a baixa qualidade dos serviços transfusionais. Não havia um rigor nas coletas e a qualidade do sangue deixava a desejar. Com o aparecimento de casos de contaminação por AIDS começou um processo de normalização e adequação dos bancos de sangue, com a realização de todos os exames sorológicos que garantem aos receptores a segurança necessária.

De acordo com artigo 8º da Lei nº 10.205 o governo federal, por meio do Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados - Sinasan, integrante do Sistema Único de Saúde - SUS, tem responsabilidade de garantir o fornecimento de sangue no país. Atualmente O Sinasan é composto por bancos de sangue públicos,filantrópicos e privados, pois o Estado não consegue suprir a demanda sozinho.

Pompeia: Rua Tavares Bastos, 425 - (11) 3674-4444 - De 2ª a 6ª das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 16h.