São Paulo, 23 de Maio de 2019

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Avanços contra o alcoolismo

Escrita por: Maurício Godoi
20/07/2007 13:48

Droga anti-tabaco se mostra eficaz contra o vício

Julho é o mês no qual muitas pessoas fazem um balanço para avaliar todas aquelas promessas feitas na virada do ano. Entre as mais comuns estão emagrecer, estudar (ou trabalhar) mais e parar de fumar ou beber. Um estudo publicado no Journal of Studies on Alcohol mostrou que, em relação às duas últimas, a promessa pode virar uma só, afinal, foi apontado que 85% das pessoas que bebiam muito, também fumavam.

Para encontrar uma forma alternativa de combate ao álcool, foi iniciado um outro estudo. Cientistas da Clínica e Centro de Pesquisa Ernest Gallo, da Universidade da Califórnia (EUA) utilizaram camundongos viciados na substância e administraram a droga conhecida por vareniclina, um medicamento anti-tabagismo que é comercializado na Europa e Estados Unidos.

A experiência foi conduzida com uma amostra de cinqüenta e cinco camundongos com diversos níveis de acesso a bebidas alcoólicas. Durante quatro meses os animais receberam 40 doses até o ponto de aumentar o desejo deles pelo álcool. A partir de então, a droga foi administrada e os resultados apontaram que o volume ingerido da substância foi reduzido pela metade.

A pesquisadora responsável do estudo, Selena Bartlett, acredita que o medicamento inibe o chamado sistema de recompensa, e assim o desejo diminui. De acordo com ela, o próximo passo é utilizar o tratamento em pessoas dependentes do álcool, mas para isso ainda será necessária a permissão e o financiamento do instituto que cuida de assuntos referentes ao alcoolismo e abuso do álcool.

Atuação

O processo de dependência do álcool não ocorre de um dia para o outro, explica o psiquiatra do Hospital e Maternidade Sâo Camilo, Dr. José Paulo Pinotti. Ele diz que determinar este ponto é uma questão complicada, pois existem diversos aspectos que devem ser analisados. Em geral, a pessoa procura amenizar algum mal-estar ou aliviar a mente, pois o álcool é depressor, age sobre o cérebro e, dependendo do volume ingerido, leva a pessoa de uma leve euforia a até uma intoxicação grave.

“O fato que configura a dependência é a busca contínua pela substância???, explica o médico. “Todo o dependente do álcool acaba tendo como conseqüências graves problemas de saúde, podendo chegar a ter convulsões???.

O tratamento atualmente varia de acordo com o nível de dependência. Pinotti explica que é necessário em primeiro lugar a pessoa querer o tratamento. “Sem esta decisão, qualquer esforço de cura não será bem-sucedido???. Pinotti, que também atua como diretor-adjunto do setor de psquiatria do pronto-socorro de Santo Amaro ressalta a importância do trabalho do AA (Alcoólatras Anônimos).

Para o paciente que apresenta um quadro mais grave de dependência psíquica, o tratamento passa primeiro pelo controle clínico da saúde. Logo após, uma equipe multidisciplinar administra drogas e terapias. Este grupo é o Centro de Apoio Psicossial – ??lcool e Drogas CAPS-AD), que na opinião de Pinotti é fundamental para o sucesso do tratamento.

Apesar de existirem diversas formas de contornar o alcoolismo, Pinotti advete, “Não sou contra o álcool, desde que utilizado moderadamente. Ao menor sinal de dúvida sobre a ingestão de bebidas alcoólicas, o melhor é não beber???. E completa, “uma substância que tem o poder de tirar a autonomia da pessoa só pode ser veneno, portanto é prejudicial???.

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