São Paulo, 18 de Outubro de 2017

Feijoada / Confraternização de Doadores e Aniversário de 9 Anos do Clube SangueBom
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Voluntário, a educação da vontade

Escrita por: Valdir Cimino
11/09/2007 15:08

A verdadeira ação voluntária parte da indignação do individuo, que encontra alternativas em grupo para resolvê-las.

Busca-se dar reconhecimento ao trabalho voluntário no país, através da realização de ações como pesquisas sobre voluntariado, prêmios de valorização, entre outras apontadas no relatório da ONU em 1997:

- Visa-se criar oportunidades que facilitem o trabalho de voluntários como, por exemplo: oferecer treinamento de voluntários, formar multiplicadores, e oferecer suporte institucional para o voluntário;

- Uso de tecnologia de informação também deve orientar as ações de comunicação do Ano e é uma importante ferramenta de integração entre as instituições que trabalham com voluntariado;

- Essa linha de atuação visa promover a cultura do voluntariado e criar oportunidades para o publico em geral e para o governo se envolverem para apoiar ações voluntárias. Os meios de comunicação são aliados estratégicos para relatar experiências bem sucedidas de voluntariado com o objetivo de replicá-las em outras regiões do país. Entre as atividades de comunicação sugeridas estão: campanhas de mídia e divulgação de resultados do voluntariado.

Quando iniciei as atividades da Associação Viva e Deixe Viver sozinho dentro o Instituto de Infectologia Emilio Ribas, não sabia muito bem o caminho que iria percorrer, mas como observador daquele ambiente já visualizava em sonhos, as grandes oportunidades de transformá-lo em um local menos aterrorizador para muitas crianças e adolescentes.

A propaganda boca a boca foi a minha ferramenta de marketing a ser trabalhada. No período de um ano já éramos 56 voluntários com muitas idéias, algumas extremamente mirabolantes e impossíveis de se realizar. “Na preocupação de se organizar, desenvolvemos a nossa primeira convenção, onde consolidamos a nossa missão dentro da causa da humanização hospitalar,...??? entreter e levar informação educacional para a criança internada em hospitais com o objetivo de alegrar e transformar o ambiente mais feliz, espaço de promoção da leitura e brincar".

O grande problema veio logo em seguida, um turn over muito maior que o esperado de voluntários. O fato é que existe um grande equívoco na cabeça das pessoas: contar histórias para crianças hospitalizadas implica em uma mudança de hábito, como atentar para sinalizadores, lavar as mãos a cada atuação, respeitar a equipe multidisciplinar, e olhar com afeto para quem esta recebendo a doação , como um ser humano e não uma simples patologia que amedronta e nos faz ver que a morte também faz parte da vida. O comprometimento se faz necessário, pois existem milhares de crianças precisando deste apoio. Isto é valido para qualquer serviço voluntário.

Comprometer-se significa empenho, responsabilidade e a garantia de que o processo não deve parar. Treinamos 10 cidadãos para efetivamente ficar com 2,5, e em um período mais longo de atuação, muitos se afastam, tende a se direcionar para outras causas. A saúde requer muito mais atenção.

Aconselhado pelo professor Stephen Kanitz, percebi que muito trabalho iria existir pela frente. O brasileiro já é um grande doador por natureza, mas na maioria das vezes lhe falta a determinação e constância em solucionar problemas relativos à nossa sociedade. Temos a tendência de esperar uma solução caia do céu ou na maioria das vezes preferimos reclamar e achar que a culpa é do governo. Se lembrarmos que governo fomos nós próprios que elegemos, a procura de soluções para as causas deste país também faz parte de cada cidadão.

O assistencialismo arreigado em nossa cultura mostra que o individuo faz quando quer ou quando pode, ou seja, administra muito mal seu tempo. Dificilmente mudaremos esse pensamento a curto prazo, faz parte da população acreditar que é possível mudar para melhor.

Dentro do "Viva" fazemos a nossa parte, inclusive no direcionamento das pessoas que nos procuram. Muitos vieram e poucos ficaram, mas a cada ano que passa temos a convicção que juntos, contadores de histórias e colaboradores nas mais diversas aras, encontraremos a maneira mais eficiente para colocá-lo no rumo de seu desejo.

Acredito que o verdadeiro exercício de cidadania é a educação de nossa vontade, e os universitários, futuro da existência de uma nação, podem e devem fazer a sua parte.

Valdir Cimino é Diretor Fundador da Associação Viva e Deixe Viver, Sócio Diretor da CS.pro Assessoria em Comunicação Social e Coordenador da área de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação da FAAP

Pompeia: Rua Tavares Bastos, 425 - (11) 3674-4444 - De 2ª a 6ª das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 16h.