São Paulo, 24 de Novembro de 2017

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Você enxerga bem?

Escrita por: Regiane Sanchez
26/06/2008 13:50

Entenda mais sobre transplante de córnea

O número de transplantes de córnea realizados no Brasil aumentou 44% em seis anos, segundo levantamento do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Em 2001, foram 56,41 cirurgias desse tipo a cada grupo de 1 milhão de habitantes. Em 2007, foram 81,09 transplantes/milhão de habitantes. O país tem 559 hospitais autorizados a realizar transplante. A córnea é o segundo orgão mais aguardado para doação, perdendo apenas para o rim.

Informações do governo afirmam que São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul são os estados que mais fizeram esse tipo de procedimento em 2007. Pensando nisso, o Clube SangueBom apresenta algumas informações, para que você entenda mais sobre este assunto.

Quando o transplante é necessário

As principais alterações na córnea que exigem a realização de um transplante para recuperar a visão são o ceratocone e a distrofia do endotélio. O ceratocone é uma doença que se manifesta em pessoas mais jovens e se caracteriza pelo adelgaçamento da córnea que torna-se mais pontiaguda. Essa irregularidade interfere na curvatura corneana, aumentando o astigmatismo, e, conseqüentemente, distorcendo muito a imagem que chega à retina.

Já a distrofia do endotélio corneano acomete especialmente os idosos, pois as células endoteliais que revestem a face posterior da córnea vão sendo perdidas no decorrer da vida. A evolução da doença costuma ser lenta, mas algumas pessoas perdem essas células com maior velocidade.

O médico oftalmologista Virgilio Centurion explica que quando a perda é acentuada, a córnea acumula água, adquire o aspecto de um vidro fosco que prejudica a passagem da luz e, por isso, a pessoa não consegue enxergar adequadamente. Essa enfermidade é conhecida também como distrofia de Fuchs.

Para decidir sobre a indicação do transplante de córnea, é de extrema importância que o oftalmologista avalie a queixa do paciente e em que medida a cirurgia pode resolver o distúrbio e melhorar a sua qualidade de vida.

Como é feito o transplante

O transplante de córnea é uma cirurgia muito delicada. O especialista informa que o cirurgião opera com uso de microscópio e a técnica consiste em retirar um círculo central da córnea doente com um instrumento cirúrgico chamado trépano. Esse círculo será substituído pela córnea saudável de um doador, captada num banco de olhos. A seguir, sutura-se com fio de nylon extremamente fino. Os pontos são sepultados, isto é, enterrados na córnea. O fato de não ficarem expostos faz com que a dor seja menos intensa no pós-operatório. Só se transplanta a córnea toda em casos de doenças especificas.

Como é o pós-operatório

Num primeiro momento, a visão do receptor da córnea pode melhorar, mas posteriormente, fica embaçada de novo durante a troca do epitélio do doador pelo do receptor. Mais tarde, o receptor passará a enxergar melhor.

Em relação à troca de epitélio, podemos explicar desta maneira: a córnea do doador é retirada com todos os seus componentes. A camada mais superficial da córnea chama-se epitélio e é trocada a cada sete dias pelo organismo. A troca das células epiteliais do doador vai ocorrer no mesmo período, o que provocará inicialmente certa irregularidade na córnea, explica Fabrício.

Os retornos são marcados, geralmente, no dia seguinte ao transplante e uma semana depois. No primeiro mês, ele volta para avaliação com intervalo de mais ou menos sete dias e, depois, até completar seis meses, uma vez por mês. Daí em diante, as consultas vão se espaçando, mas a orientação é que se deve procurar o médico sem perda de tempo, sempre que houver qualquer sinal que possa sugerir rejeição, como olhos vermelhos, afirma o médico.

Riscos de rejeição

O índice de sucesso nos transplantes de córnea está em torno de 93%, 95%. Entretanto, de 30% a 50% dos doentes vão apresentar algum episódio de rejeição que pode ser tratado com medicação tópica (colírios).

Se o doente for atendido numa fase inicial, quando começa a queixar-se de que o olho está um pouco mais vermelho, lacrimejando e a visão mais embaçada, os resultados são melhores. O problema é maior quando os sintomas da rejeição estão em estágio avançado, alerta o oftalmologista.

Incentivo à doação de córneas

São Paulo acaba de registrar a marca de 30 mil cirurgias de transplante de córnea realizadas desde o ano 2000. Segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado, atualmente, há 1,7 mil pacientes na lista de espera por uma córnea no Estado, contra 2,7 mil em maio do ano passado. As filas de espera diminuíram muito com as campanhas de doação e o incentivo governamental para o funcionamento dos bancos de olhos.

Uma vantagem que a córnea apresenta sobre os outros órgãos é que ela pode ser retirada até seis horas após a morte. Se o corpo for conservado adequadamente, o prazo se estende para um dia. Uma vez retirada, a córnea é conservada em meios especiais por até 14 dias.

No banco de olhos, a córnea doada passa por uma triagem para verificar se é de ótima qualidade ou não para transplante no receptor. Existem alguns critérios de exclusão: não são considerados doadores viáveis pessoas que tiveram hepatite B ou C, os portadores do vírus HIV, da raiva e do Creutzfeldt-Jakob, a doença da vaca louca. Também são rejeitados pacientes em que a causa da morte foi leucemia, linfomas, septicemia, endocardite bacteriana, ou seja, qualquer condição que possa infectar a córnea do receptor.

Pompeia: Rua Tavares Bastos, 425 - (11) 3674-4444 - De 2ª a 6ª das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 16h.