São Paulo, 26 de Agosto de 2019

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Chat sobre transplante de medula

Escrita por: Renata Perre
05/02/2007 06:24

Bate-papo no site do São Camilo aborda a técnica sem transfusão de sangue

Recentemente o Hospital São Camilo realizou um tranplante de medula óssea sem a transfusão de sangue por motivo religioso do paciente. O hematologista que cuidou do caso, o Dr. Roberto Luiz da Silva, participou de chat no site do hospital e esclareceu as principais dúvidas sobre as modernas técnicas para o procedimento.

Pergunta - Transplante de medula óssea sem transfusão de sangue, é algo novo para mim, esse tipo de procedimento é comum?

Dr. Roberto - Não, não é comum. Trata-se de um procedimento utilizando drogas não-convencionais aos transplantes habituais. Portanto, ainda é um método novo no mundo.

Pergunta - O câncer na medula é muito comum?

Dr. Roberto - Existem vários cânceres (neoplasias) que acometem a medula óssea. No entanto, esse tratamento pode ser utilizado para outras neoplasias mesmo que não acometam a medula.

Pergunta - Para quais tipos de doenças é indicado o transplante da medula óssea?

Dr. Roberto - O transplante de medula óssea é um tratamento utilizado em diversas doenças hematológicas, oncológicas, reumatológicas, entre outras.

Pergunta - Como é feito esse novo transplante?

Dr. Roberto - Neste transplante, utilizamos drogas (hormônios) antes do procedimento com o objetivo de aumentarmos as células sanguíneas do paciente. Isso ainda antes de iniciarmos as quimioterapias em altas doses, que são utilizadas antes da infusão das células-tronco hematopoéticas (células-mãe) que irão recuperar a medula óssea destruída pela quimioterapia. Esses hormônios são mantidos durante todo o processo de recuperação do paciente.

Pergunta - Qual a maior dificuldade em realizar esse transplante?

Dr. Roberto - O fato de não poder utilizar hemoderivados (sangue e plaquetas) tornaram este procedimento especial e nos motivaram a pesquisar mais sobre o assunto e procurar o envolvimento com grupos internacionais que já realizam esta técnica.

Pergunta - Como foi descoberta dessa nova técnica?

Dr. Roberto - Com base em pesquisa com grupos internacionais. Encontramos o grupo da Dr. Patrícia Ford, da Pensylvânia, nos Estados Unidos, que iniciou essa técnica em 2000. Tivemso contato também com o grupo Italiano de transplante de medula óssea do Dr. Massa.

Pergunta - Quantos transplantes desse tipo o senhor já realizou?

Dr. Roberto - Acabamos de realizar um segundo caso, no entanto não tratava-se de paciente Testemunha de Jeová.

Pergunta - Essa elevação das células sangüíneas pode ser utilizado para tratar outras doenças?

Dr. Roberto - Sim. Atualmente, essa técnica tem sido utilizada na recuperação após outras quimioterapias e no preparo de pacientes que irão submeter-se a grandes cirurgias e não desejam receber transfusões.

Pergunta - No caso desse transplante, sem tranfusão de sangue, a quimioterapia foi mais forte?

Dr. Roberto - A quimioterapia utilizada foi a mesma empregada nos transplantes de medula óssea convencionais.

Pergunta - Quantas pessoas já passaram por esse transplante no mundo ou no Brasil?

Dr. Roberto - No mundo há relatos de mais de 80 casos, porém todos em adultos. No Brasil, há apenas dois casos: o da paciente descrita e um caso recente, também em paciente adulto.

Pergunta - Esse transplante pode ser realizado em crianças?

Dr. Roberto - O transplante de medula óssea pode ser realizado em crianças comumente, no entanto, a realização do procedimento sem o hemoderivado é questionável devido aos riscos relacionados.

Pergunta - Como é detectada a necessidade de um transplante desse?

Dr. Roberto - Existem diversas doenças que possuem indicação de transplante de medula óssea. Para cada doença, existe um tempo e uma necessidade adequadas.

Pergunta - O que tem de novidade sobre o auto-transplante?

Dr. Roberto - Existem diversas patologias sendo tratadas com o auto-transplante, dentre elas, podemos citar artrite reumatóide, diabetes mellitus auto-imune e outras doenças auto-imunes.

Pergunta - Quantos profissionais e de quais especialidades exige um transplante de medula óssea?

Dr. Roberto - Há necessidade de uma equipe multidisciplinar envolvendo enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeuta ocupacional e médicos hematologistas.

Pergunta - Mesmo com o respaldo da autorização de que se a paciente corresse risco de morte a transfusão seria feita, o senhor arriscou. O que mais te influenciou nessa decisão?

Dr. Roberto - O mais importante neste caso era a grande necessidade que a criança tinha de realizar esse procedimento. Sabíamos dos riscos, no entanto, tínhamos a certeza de que era a melhor opção para o tratamento da mesma. Por princípio da equipe e filosofia do hospital, respeitamos a opinião do paciente e familiares, optando assim pela realização do procedimento.

Pergunta - Quanto tempo dura um transplante com essa técnica?

Dr. Roberto - A recuperação medular neste caso ocorreu em 11 dias do início do transplante. Mas, há necessidade de um maior número de casos para falarmos melhor a respeito.

Pergunta - Existem sites para se obter mais informações?

Dr. Roberto - Site do Hospital São Camilo - www.saocamilo.com e no Site da equipe de TMO - www.biosanas.com.br

Pompeia: Rua Tavares Bastos, 425 - (11) 3674-4444 - De 2ª a 6ª das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 16h.