São Paulo, 26 de Agosto de 2019

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Açúcar: vilão como o cigarro e o álcool?

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
07/02/2012 09:18

Artigo coloca o açúcar lado a lado de outros vilões da saúde.

Comer um brigadeiro, tomar um whisky ou acender um cigarro? Do ponto de vista de um artigo publicado por três cientistas norte-americanos – Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis – em fevereiro de 2012 na Nature, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo, intitulado “The toxic truth about sugar” (“A verdade tóxica sobre o açúcar”, em tradução livre) não há diferenças entre os problemas ocasionados por esses três hábitos: consumir muito açúcar, consumir álcool e consumir tabaco. O artigo tem gerado debates sobre o assunto.

A comparação que abre este texto (brigadeiro – whisky – cigarro) é obviamente um exagero: apenas um brigadeiro não coloca o açúcar como vilão. O problema porém é que o consumo de açúcar diariamente tem aumentado tanto nas últimas décadas e ele é encontrado em tantos produtos que é até difícil evitá-lo – e talvez por prazer, falta de opção ou desinformação as pessoas se rendem a consumi-lo. Ou seja: você pode não consumir o brigadeiro, mas encontrará o açúcar em sucos, refrigerantes, doces e inúmeros outros alimentos processados e industrializados – até mesmo em muitos deles que são salgados. Além, é claro, dos alimentos preparados em casa que levarem o ingrediente.

Há mais obesos do que desnutridos

As consequências de seu consumo exagerado são abordadas no artigo dos cientistas norte-americanos de forma contundente. O texto afirma que o consumo de açúcar triplicou nos últimos 50 anos, e literalmente compara seus efeitos maléficos ao corpo humano aos males do tabaco e do álcool, colocando-o no mesmo banco dos réus nos quais o álcool e o tabaco sentaram-se há poucas décadas – e no qual foram condenados, a ponto de serem hoje combatidos com vigor, até mesmo no Brasil.

Refrigerantes, balas, doces, chocolates e afins – produtos com açúcar comum – não são porém os únicos culpados. Outros tipos de bebidas e alimentos açucarados por outros “formatos” de açúcar – como a frutose – também entram nessa lista.

Com isso, hoje há no mundo mais pessoas obesas do que desnutridas, afirma o artigo.

Riscos não são só para obesos

O texto alerta porém que muitas pessoas pensam que os problemas de saúde associados à alimentação estão ligados apenas à obesidade – sendo que, na verdade, não é necessário “ser obeso” para correr riscos, e que há obesos (20% deles) que têm uma perspectiva de anos de vida normal, ao passo que há pessoas com peso normal (até 40% delas) que podem ter problemas de saúde como hipertensão e diabetes.

O ponto apresentado é que o consumo exagerado de açúcar tem contribuído para o aumento de ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis – como câncer, diabetes, hipertensão e várias doenças do fígado e do coração, por exemplo; enfermidades que não ocorrem no organismo em razão da infecção por contato com outras pessoas doentes, pela ação de vetores ou pelo contato com vírus e bactérias, mas por questões muitas vezes relacionadas aos hábitos de vida e alimentação.

O número é tão alarmante que em setembro de 2011, conforme dados da ONU citados no artigo, a ocorrência de mortes por essas doenças ultrapassou pela primeira vez na história o número de mortes geradas por doenças infecciosas (como aids, sífilis, meningite, etc.).

O que fazer? Cortar o açúcar da alimentação o máximo possível, adotar hábitos saudáveis de vida e exigir leis e políticas públicas que disciplinem melhor o uso do açúcar, em suas diversas formas, nos alimentos. E principalmente educar o próprio paladar – e o paladar das crianças – e ficar atento ao que se leva à boca. Cortar alimentos industrializados ao máximo também pode ajudar, ou optar apenas por aqueles que são preparados com rigoroso controle dos açúcares que contêm, lembrando que, nesse caso, não basta o produto ser apresentado como “saudável”: certifique-se lendo as informações nutricionais e a composição no rótulo.

Mas não seria exagero comparar o açúcar consumido nos dias de hoje a uma substância tão comprovadamente nociva como o tabaco, por exemplo? Independente da resposta para este questionamento em particular, o artigo de Lustig, Schmidt e Brindis realiza um ato inquestionável: estimula a reflexão.

Pompeia: Rua Tavares Bastos, 425 - (11) 3674-4444 - De 2ª a 6ª das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 16h.