São Paulo, 23 de Julho de 2019

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Carnaval: os excessos de Momo.

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
06/02/2013 17:01

Brincar sim, mas cuidando da saúde.

Quando “o reinado de Momo” começa, simbolicamente os poderes constituídos são “amenizados” e quem dá as ordens – ou fomenta a desordem – é Momo, um personagem cuja lógica é movida pela pilhéria e pela diversão. No início do carnaval, em alguns lugares Momo recebe “a chave da cidade”, sinalizando o “controle” simbólico que ele passa a ter sobre o lugar.

Mas de onde surgiu a figura de Momo? Sua origem está na deusa grega Momo, que não só não era homem como também não era rei.

Na mitologia, Momo era filha da deusa da noite, Nix. Era a deusa da diversão, da irreverência, do riso e do entretenimento. Sua sagacidade começou a tomar forma, de acordo com a mitologia grega, quando Momo foi convidada para ser juíza de um concurso para avaliar três outros deuses da complexa e politeísta cultura grega: Atena (deusa da guerra), Poseidon (deus dos mares) e Nefesto (deus do fogo e da tecnologia).

Nessa tarefa, Momo zombou de Poseidon, que teria criado o primeiro touro, por ter-lhe colocado os olhos abaixo dos chifres – e não na mesma altura, o que, segundo ela, permitiria ao animal mirar melhor suas presas. Desdenhou Atena porque a casa dos deuses – a casa de Atena, na Acrópole – era desprovida de rodas na base, sendo impossível portanto levá-la a outros lugares. E criticou Nefesto porque este forjara a belíssima Pandora (aquela, da caixa) sem uma porta em seu peito, o que impediria que seu coração guardasse segredos.

O sarcasmo de Momo

O sarcasmo de Momo era tanto que teria sido dela a irônica ideia de que os deuses deveriam criar uma mulher tão linda que o mundo travasse guerras por ela – levando assim Zeus a criar Helena, que levou à guerra de Troia. O objetivo era fazer com que os homens se matassem, evitando que a Terra oscilasse pelo peso causado pela humanidade: mais guerra, mais mortes. Com isso, menos pessoas, menos peso, menos oscilação.

O conceito de um Momo homem e rei talvez tenha surgido na Roma antiga, que adotava vários deuses da Grécia. Um soldado era escolhido para fazer o papel de Momo e ser coroado rei para os festejos em homenagem a Saturno, deus romano do tempo. Essas festas, chamadas de festas saturnais, eram celebradas por uma semana, durante a qual o “rei” Momo podia fazer literalmente tudo o que quisesse – seja lá o que fosse. Nesse período de festa consumia-se muita comida, muita bebida, ninguém trabalhava e eram realizadas infindáveis orgias. Ao final do saturnal o soldado que havia sido Momo era morto em sacrifício dedicado a Saturno.

Nas representações desses festejos, Momo era retratado ao lado de Baco – deus do vinho e dos excessos. É de Baco que surge a palavra “bacanal”, festa regada a vinho e sexo em homenagem a ele próprio. Uma festa tão obscena que chocava até mesmo a liberal sociedade romana da época. Nessas festas, era comum retratar Baco seguido pelo seu inspirador e mentor, Sileno, que era representado bêbado, muitas vezes mal equilibrado sobre um burro ou amparado por sátiros.

Na época contemporânea, a figura de Momo foi aos poucos moldada aos conceitos atuais do carnaval, mas ele continua simbolizando a irreverência e a falta de limites aos quais o carnaval faz referências.

Referências na maioria das vezes ligadas ao sexo, à bebida, aos prazeres desmedidos e inconsequentes.

Riscos reais

Não há mal em brincar o carnaval – entretanto o folião deve ter em mente a proteção de si mesmo, de sua saúde e das pessoas ao redor. Sileno não dirigia, a aids não existia nos tempos de Baco e para Momo, em Roma, só era dado o privilégio de fazer tudo o que quisesse porque seria cruelmente morto depois.

A história de Momo e os outros deuses de seu entorno é um deleite de curiosidade sobre a mitologia antiga – mas, na vida real, é necessário brincar o carnaval com responsabilidade. Os perigos do álcool, da violência, do sexo sem segurança e das drogas, sempre presentes, tornam-se ainda maiores no carnaval se ele é celebrado de forma irresponsável.

Então, bom carnaval – mas com proteção, responsabilidade e muita segurança. Ao contrário de Momo nas antigas saturnais, todos esperamos continuar a viver quando a festa terminar.

Publicado originalmente em 16/02/2012.

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