São Paulo, 18 de Novembro de 2018

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Inversão térmica – um risco à saúde.

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
29/06/2012 11:42

Fenômeno é mais comum no inverno.

Quem conhece algo sobre Londres sabe que a cidade é famosa pelo ambiente enevoado, em que são difíceis dias de céu bem aberto e luz do sol intensa. O ambiente londrino é muito comumente tomado por uma névoa persistente, que filtra os raios de luz e envolve tudo com um ar típico e misterioso – tão bem captado nas telas de Claude Monet (1840-1926) que retratam o parlamento britânico ao lado do rio Tâmisa, em uma atmosfera de luz e sombras comandada pelo famoso fog londrino.

Inversão térmica não é fog, o equivalente ao nosso nevoeiro. Mas foi a dificuldade da atmosfera londrina em fazer o ar circular que contribuiu com o Great Smog (“grande poluição”) do inverno de 1952, quando a capital inglesa foi tomada por uma densa mistura de neblina e poluição que não se dissipou por vários dias. Ao invés do fog, o que se viu foi uma densa neblina venenosa, persistente e letal.

Com o rigoroso frio europeu, os londrinos aumentaram a queima de carvão de baixa qualidade, mais barato mas rico em enxofre; uma das inúmeras e tristes consequência da pobreza gerada pela 2ª Guerra, que embora terminada em 1945 deixou o país economicamente debilitado por vários anos. A fumaça do carvão, mais a poluição gerada pelos veículos e pela indústria, criou uma atmosfera impregnada de poluentes que causou a morte de cerca de 4 mil pessoas.

Como é o fenômeno

Por que a poluição não se dissipou? O que Londres viveu no trágico ano de 1952 foi uma inversão térmica. O fenômeno é caracterizado pela incapacidade de ocorrer o processo natural de convecção do ar.

Explicando: o ar frio é mais pesado que o ar quente, por isso o ar frio das elevadas altitudes atmosféricas tende normalmente a descer para tomar o lugar o ar quente próximo ao solo, que sobe. Isso faz com que o ar quente leve com ele a poluição da cidade – ajudando a diminuir a concentração de poluentes no ambiente urbano.

Em termos bastante simplificados, a inversão térmica ocorre quando há uma dificuldade de o ar próximo ao solo ser aquecido, não se elevando e, portanto, não dissipando os poluentes na atmosfera. As noites longas e as baixas temperaturas do inverno favorecem esse cenário, fazendo com que o ar à altura do chão, ao amanhecer, não tenha calor suficiente para elevar-se ou demore mais para fazê-lo. Pode até mesmo ocorrer a formação de uma camada de ar quente na parte superior da atmosfera que age como uma espécie de “tampão”, impedindo a chegada de ar frio e a movimentação frio-quente que dissipa os poluentes.

As inversões térmicas não são raras, e ocorrem principalmente no período da manhã. Com o decorrer do dia o calor do sol aquece o solo que, por sua vez, também ajuda a aquecer o ar e fornece assim calor suficiente para que ele acabe se elevando, interrompendo o fenômeno. Mas em alguns casos as inversões térmicas podem demorar a dissipar-se, tornando-se assim especialmente perigosas. No relato de Londres, em 1952, o fenômeno durou quase uma semana. Com isso, a elevadíssima concentração de poluentes potencializou os riscos à saúde decorrentes da poluição do ar – como problemas respiratórios e cardíacos, o que foi fatal para milhares de pessoas.

Cidades grandes estão mais sujeitas aos perigos do fenômeno, pois geram mais poluição. Mas cidades próximas a regiões montanhosas também podem ocorrer inversões térmicas duradouras, se as características geográficas e atmosféricas da região não favorecerem as trocas atmosféricas entre ar quente e frio.

O que fazer?

A primeira dica é acompanhar os boletins de qualidade do ar feitos pelos departamentos públicos que fazem essa medição. No caso de inversões térmicas perigosas, as autoridades podem determinar medidas especiais, como a proibição da circulação de parte da frota de veículos. Pessoas com problemas de saúde devem evitar expor-se ao ambiente urbano nessas condições, procurando ficar em locais protegidos da poluição e adotando medidas como umidificar o ar no ambiente (podem ser usados bacias com água e toalhas molhadas espalhadas pelo ambiente). Em caso de desconforto acentuado, a manifestação de outros problemas ou a percepção de algum risco para a saúde, deve-se procurar atendimento médico.

Crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde devem receber atenção redobrada.

As inversões térmicas são mais comuns no inverno, mas podem ocorrer também em outras épocas do ano. A criação de transportes públicos eficientes – que diminuam a necessidade do uso de automóveis –, o uso de fontes de energia menos poluidoras e o controle da poluição causada por indústrias e veículos são algumas das medidas que podem auxiliar na diminuição dos riscos de inversões térmicas. O cidadão deve exigir que o poder público adote essas medidas, bem como contribuir para geração de menos poluição atmosférica.

Publicado originalmente em 29/06/2012.

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