São Paulo, 21 de Fevereiro de 2018

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Caravaggio e impulsividade.

Escrita por: Redação Fellows Mkt & Co.
10/09/2012 09:45

Agir impulsivo pode requerer orientação médica.

(César Augusto Ortolani)


Michelangelo Merisi da Caravaggio. O célebre pintor italiano que nasceu no Século XVI (1571-1610), em Milão, morreu jovem, com apenas 38 anos. Conhecido e reconhecido pela genialidade de seus quadros (alguns deles expostos no MASP, em São Paulo, entre os meses de agosto e setembro de 2012), seu sobrenome artístico vem da pequena cidade italiana de Caravaggio – onde tiveram origem seus pais.

Conhecido como “o mestre do claro - escuro”, devido à forma inventiva e extremamente impactante com que utilizava a luz em suas obras, Caravaggio produziu cenas de um efeito dramático desconcertante, concedendo às imagens uma construção de cores, contrastes e efeitos ricos e avassaladores. Apesar de pintar principalmente temas religiosos, suas composições muitas vezes chocavam até mesmo seus próprios clientes pelo aspecto rude e densamente humano de suas representações. São comuns em suas obras personagens, vários deles da vida religiosa, vestidos de roupas rotas em poses distantes de delicadezas ou graciosidades. As pinturas de santos e mártires cristãos de Caravaggio não representam qualquer imagem etérea, pasteurizada e irreal. Suas imagens são viscerais, densas e de uma dramaticidade exuberante, viva, impassível e chocante – qualidades que por isso mesmo as fazem admiráveis.

Caravaggio era porém um artista atormentado. Envolvido frequentemente em brigas e desentendimentos, em uma vida boêmia e polêmica, foi acusado de homicídio em Roma, sendo obrigado a fugir da cidade. Vagando pela Itália, esteve preso e pleiteou seu perdão junto às autoridades. De caráter impulsivo e imprevisível, conquistou inimigos e teve dificuldades. Morreu enfermo e febril, enquanto percorria a praia de Porto Ercole, na região de Toscana, depois de ter sido preso (neste derradeiro caso, por engano) e perder o barco que levava seus bens e o transportaria a seu destino – ao qual tentou então, em vão, chegar a pé. Um triste e solitário fim para um formidável gênio da arte.

Caravaggio seria um impulsivo? A tendência de agir abruptamente, não considerando a possibilidade de arrependimento ou o tempo futuro é percebida na impulsividade.

Felizmente o comportamento impulsivo não precisa estar relacionado à prática de atos extremos para ser percebido. A impulsividade pode às vezes ser vista em comportamentos do dia-a-dia. Exemplificando simplificadamente: interromper ou interferir descontroladamente em atividades de outras pessoas, comprar irrefletidamente (às vezes até dando pelo produto um valor mais alto ou além da capacidade de pagamento), optar por fazer algo para suprir um prazer imediatista em detrimento a relações profissionais, pessoais ou afetivas a médio ou longo prazo, dizer ou agir de imediato abrupta e irrefletidamente...

Mas vez ou outra fazer ou agir impulsivamente não significa que a impulsividade é um transtorno psiquiátrico – com a palavra, portanto, os médicos e especialistas da área. Um profissional deve avaliar cada caso e, de acordo com preceitos médicos adequados, diagnosticar se a pessoa sofre de problemas relacionados à impulsividade que requerem tratamento.

Em uma análise bastante livre, portanto, no caso de Caravaggio a impulsividade talvez estivesse presente em sua forma de lidar com a vida. Sob esta visão, os malefícios teriam contribuído para levar precocemente um artista cuja genialidade o tempo não apagou, mas privou de futuras obras que provavelmente ainda viriam. Pessoas com problemas de impulsividade podem hoje felizmente contar com ajuda e orientação médica para auxílio e tratamento. Se há suspeita de que o problema existe, um médico ou especialista deve portanto ser procurado.

Uma pena que, no caso de Caravaggio, sua possível forma impulsiva de agir e viver tenha contribuído para um fim tão precoce e uma vida tão conturbada – mesmo que, por outro lado, possa talvez ter influenciado na irreverência e no impacto marcante e perene de sua obra.

Publicado originalmente em 06/09/2012.

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